TER UM AMIGO

Ter um amigo, é ter alguém que nos ame. Tal-qualmente. E ter alguém que nos ame, é ter quem nos queira bem. E é ter quem sofra a dor que soframos. Quem ria a nossa alegria. Quem nos respire as emoções ou o tédio. Quem dentro de nós se entranhe e connosco se reparta. Quem faça em nós o seu ninho e nos ensine a voar. Quem nos olhe mesmo nos olhos, mesmo que estejam cerrados. Quem nos dê a ver a luz, onde e quando a escuridão se nos imponha. Quem logo acorra ao grito de socorro que nem houvermos derrancado. Ou quem não acorra a tal grito, porque sempre esteja presente. Quem se finja adormecido, se é silêncio o que buscamos. Quem abomine o silêncio, quando nele nos sufocarmos. Quem nos ralhe e nos desanque, se transviarmos e cedermos à cobardia do desânimo. Quem nos incentive ante a conquista impossível e com gáudio nos aplauda o esforço afinal inútil. Quem persiga o nosso inimigo e no-lo exponha na merda. Quem antes queira morrer, que trair-nos. Quem seja maior que nós, mas nos faça crer o inverso. Quem consiga ser bem mais que nosso irmão.
Só tenho um amigo assim:
é o Satie, o meu cão.
<< Home